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Um Navio Ibérico para o Atlântico: construção naval, vida a bordo e a escala de Angra nos séculos XVI a XVII Descrição

O conhecimento existente sobre a expansão ibérica nos séculos XVI e XVII indica que a cidade de Angra desempenhou um papel fundamental como porto de escala das frotas e navios que cruzavam o Atlântico. A cidade e o seu porto adaptaram-se a estas novas funções, munindo-se das estruturas institucionais, económicas e operacionais necessárias à ancoragem, apoio e protecção aos navios em trânsito. Os dados disponíveis sobre os navios que frequentavam este porto atestam a utilização de embarcações com diversas tipologias, adaptadas ao ambiente oceânico e às funções desempenhadas nas suas rotas. Os métodos de concepção e de construção dos navios, a forma dos cascos, a organização dos estaleiros e os equipamentos náuticos são temas essencialmente conhecidos através de fontes escritas, o mesmo acontecendo ao nível das condições logísticas do porto de Angra e do quotidiano nas embarcações de alto bordo.

Objectivos

Com este projecto pretende-se abordar estes temas numa perspectiva interdisciplinar de história, arqueologia, ecologia e biologia a partir do estudo integrado de vários sítios de naufrágios existentes na baía de Angra. O projecto visa retomar o estudo do naufrágio Angra D, descoberto e escavado em 1998 na baía de Angra. O sítio Angra D é excepcional pelo seu estado de conservação, tendo permitido a recolha de abundantes materiais relacionados com a vida a bordo e a navegação, como cerâmicas, vidros, metais, couros, fauna e ictifauna, além de uma considerável parte da estrutura do navio em madeira. Uma análise preliminar do contexto indica que se trata de uma embarcação construída na Península Ibérica em finais do século XVI ou nas primeiras décadas do século XVII, envolvida na navegação transoceânica ao serviço de Portugal ou de Castela. Visa também dar continuidade à investigação de outros naufrágios e vestígios existentes na baía de Angra, integrados na análise da sua "paisagem cultural marítima".

Relativamente ao naufrágio Angra D, o projecto procura reconstituir o navio no seu contexto histórico-cultural. A diversidade e qualidade das fontes escritas e arqueológicas permitirá abordar diversas problemáticas relacionadas com a construção naval (matérias primas, gestão dos recursos florestais, técnicas de construção e arquitectura naval e organização da produção), a vida a bordo (alimentação, hierarquia e organização social) e a organização do navio (estiva e organização do espaço a bordo).

Na abordagem aos outros vestígios, pretende-se aumentar o conhecimento sobre as condições de navegação no Atlântico e a organização da escala de Angra, assim como a construção da "paisagem cultural marítima" resultante das funções portuárias assumidas pela cidade a partir do século XV.


Tarefas do Projecto

  • Tarefa 1: Levantamento e análise das fontes escritas, cartográficas e iconográficas;

  • Tarefa 2: Reconstituição da “paisagem cultural marítima”;

  • Tarefa 3: Inventário a análise dos materiais localizados no naufrágio Angra D;

  • Tarefa 4: Estudo zooarqueológico dos restos localizados no naufrágio Angra D;

  • Tarefa 5: Registo e análise das madeiras do navio Angra D;

  • Tarefa 6: Identificação da madeira utilzada no navio e na produção de outros artefactos (ICETA-CIBIO);

  • Tarefa 7: Reconstituição computorizada do navio Angra D.

Código: PTDC/HIS-ARQ/104084/2008

Início: 2010

Duração: 36 meses

Investigador Principal: José Damião Rodrigues (CHAM)


Instituições
Entidade(s) Financiadora(s)
- Fundação para a Ciência e a Tecnologia

Unidade de Investigação Principal
- Centro de História d'Aquém e d'Além-Mar / Faculdade de Ciências Sociais e Humanas/Universidade Nova de Lisboa | Universidade dos Açores

Apoios
- Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos / Universidade do Porto


Ligações