
As narrativas ficcionais, ao relatarem eventos ocorridos com entidades reais ou imaginárias com as quais nos podemos identificar, oferecem-nos um vastíssimo leque de emoções e de motivações, enraizadas na afectividade, abrindo-nos assim à pluralidade das circunstâncias, das aspirações, dos valores ou dos ideais alheios. Do mesmo modo nos revelam o que os outros têm em comum connosco.
Permitindo-nos simular a necessidade, o desejo, o prazer, o infortúnio ou a felicidade humana, a imaginação própria à ficção literária, teatral ou cinematográfica adquire assim uma dimensão ética, não só porque constitui um laboratório para a acção, mas também porque nos permite apreciar, com alguma distância, o que pode ser estar no lugar ou na pele dos outros. O que há de irreal na ficção, por mais imaginário e fantasioso que seja, remete-nos constantemente para realidades partilháveis, para a vida que temos em comum, e oferece-nos novas possibilidades de ser afectado e de afectar, de pensar e de agir. Mas o que permite que estas simulações nos interpelem, nos toquem e nos digam respeito? O que permite que nos identifiquemos a outrem por intermédio do simulacro e da imaginação?
Prolongando reflexões de anos anteriores, esta sessão será uma oportunidade para interrogar as relações entre imaginação produtiva, simulação e empatia presentes na ficção, a partir de textos da filosofia, da psicanálise e da teoria da literatura.
Coordenação
Adelino Cardoso (CHAM)
Nuno Miguel Proença (CHAM)
Organização
CHAM / NOVA FCSH
Seminário Permanente “Ciência e Cultura – Quebrar Fronteiras”