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Seminário Permanente24.06.2026
Ciência e Cultura – Quebrar Fronteiras
14h30-16h30 | Biblioteca Nacional de Portugal Fernando Pessoa e a estética da abdicação, por Bruno Barreiros

 

É possível enunciar uma teoria estética a partir dos escritos de Fernando Pessoa? O presente trabalho procura responder a esta questão, tomando como ponto de partida o Livro do Desassossego e os textos teóricos sobre literatura redigidos por Pessoa, nomeadamente a recentemente editada Uma História da Literatura Portuguesa.

 

Articulando os planos da criação literária e da reflexão estética, Fernando Pessoa esboça uma profunda reflexão sobre a produção poética, cujos elementos estruturantes são, em linhas gerais, o artifício e a abdicação. No seu laboratório poético, tão fundamental quanto ser outro é a reinvenção da gramática e da própria linguagem, pois, se «viver é ser outro» e «somos quem não somos», então «obedeça à gramática quem não sabe pensar o que sente».

 

No domínio da criação artística, a abdicação de si remete intimamente para uma estética do artifício, entendida como um impulso de transmutação da verdade, crucial para a produção da beleza. Na prosa lapidar de Bernardo Soares, «vivo-me esteticamente em outro».

 

Este trabalho pretende analisar o significado e o alcance destes conceitos na escrita pessoana, contribuindo para o esclarecimento de alguns dos aspetos fundamentais da estética de Fernando Pessoa.

 

Coordenação

Adelino Cardoso (CHAM)

Nuno Miguel Proença (CHAM)

 

Organização

CHAM / NOVA FCSH

 

Seminário Permanente “Ciência e Cultura – Quebrar Fronteiras”