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Panel 07: The Estado da Índia and Migration (EN)

 

Chairs: André Murteira (CHAM-NOVA FCSH), Roger Lee de Jesus (Leibniz University Hannover and CHAM-NOVA FCSH) & Hélder Carvalhal (KNAW, Amsterdam)

 

17 April, 9:00 am | Room C008

 

 

Os "portugueses" do Padroado: As élites goesas e descendentes na Bengala britânica dos séculos XVIII-XIX

Ernestine Carreira (Université d'Aix-Marseille - laboratoire IMAF/CNRS)

 

A conquista da Província do Norte, centro económico vital do Estado da Índia, em 1739, pela confederação Marata obrigou as grandes famílias mercantes e terratenentes ali enraizadas há várias gerações a regressarem a Goa ou migrarem para os novos territórios da East India Company, então em plena ascensão comercial e demográfica. Nesse âmbito, Bombaim (Mumbai) e Madrasta (Chennai) rapidamente se tornaram espaços de ação para uma jovem geração de negociantes e futuros armadores que podiam continuar a beneficiar da dupla identidade e dos privilégios de vassalos das coroas britânica e portuguesa através da ligação com o Padroado e o Patriarcado de Goa.

O extraordinário desenvolvimento de Calcutá (Kolikota) após a conquista de Bengala pelos britânicos em 1785 e a necessidade de acesso, por via de Macau, ao comércio com a China levaram as elites “portuguesas” a uma estratégia de rede familiar instalada nos portos mais importantes do Índico e da Ásia oriental, incluindo as Filipinas e a China a partir dos anos 1790. Durante duas gerações, iriam construir as maiores fortunas da Ásia e tornar visível o seu poder comercial e urbano na construção monumental religiosa e civil.

Esta comunicação propõe analisar, através das correspondências privadas e públicas ainda acessíveis, o tipo de ligação identitária, comunitária e política que estas comunidades, organizadas há várias gerações em grupos autónomos, construíram com as autoridades de Goa e a própria coroa portuguesa, assim como a construção de um discurso político valorizando a cultura goesa (linguística e religiosa) em território britânico até aos anos 1840.

Keywords: Estado da Índia; Bengala; Calcutá; armadores; Padroado

 

 

À sombra da Torre da Universidade: a comunidade goesa na academia coimbrã de oitocentos

Luís P.L. Cabral de Oliveira (Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa)

 

Na sequência da vitória do ideário liberal e da implementação, em Goa, do perismo, tornou-se evidente a preocupação (enraizada desde logo nas recomendações do próprio Bernardo Peres da Silva) de garantir que alguns dos jovens membros das elites naturais católicas passassem a frequentar a Universidade de Coimbra – e, em particular, os estudos jurídicos aí ministrados. Ancorada à sombra de figuras que firmaram no universo coimbrão da época (como Venâncio Rodrigues ou Raimundo da Gama e sua enteada Amélia Janny), esta comunidade de migrantes pertencentes às classes mais abastadas e europeizadas da cabeça do então Estado da Índia não só deixou uma marca forte na cidade como serviu de intermediária, a par com os representantes de Goa nas cortes de Lisboa, entre Portugal e a sua terra de origem. Importa, assim, começar a aprofundar o estudo do seu legado, nas várias vertentes em que o mesmo se reflete.

Keywords: Coimbra; Goa; estudantes goeses; Universidade

 

 

Migration, Military Labour, and State Building in the Estado da Índia, c.1500-1640

Hélder Carvalhal (International Institute of Social History, KNAW)

 

This paper examines the evolution of the recruitment of manpower to supply the military, political, and administrative structure of the Portuguese Empire in Asia (the so-called Estado da Índia), roughly during the first century and a half of its existence. The traditional literature concerning the establishment and maintenance of the Portuguese empire stressed the fact that Portuguese colonisers embarked to Asia in an attempt to get rich. While enrichment may have happened in some cases – often more detectable, and with a larger trail of archival paperwork -, we virtually ignore the motivations, trajectory, and outcomes of the large majority of tripulants who sailed to the Indian Ocean. Likewise, we ignore their catchment areas and social profiles. While the sources for the study of this topic are certainly not comparable to their Spanish and Dutch counterparts, this paper contributes to updating our knowledge about the tendencies of early migration to the Indian Ocean in a comparative perspective. Taking such a context into account, the paper argues that, despite a promising start, manpower recruitment tended to fade in both quantity and quality over the period. Due to a set of reasons, which included distance and relatively low remuneration, European potential recruits became less interested in embarking to Asia – thus, in clear contrast with what was happening on the Atlantic part of the Portuguese empire. This gradual change is related to a growing reliance and competition for non-European human resources on the part of the Estado, which ended up ensuring its survival, at least until the end of the early modern period.

In order to assess both quantitatively and qualitatively such dynamics over the long run, the paper will analyse and discuss a set of primary and secondary sources, which include account books, payment lists, yearly budgets, and correspondence among diverse actors. This mixed approach will then foster wider comparisons not only with the Portuguese imperial context in the Atlantic, but also with other European imperial enterprises, thus contributing more effectively to answering the overall questions raised by the panel.