Livro médico e censura na primeira modernidade em Portugal
 

Estudo monográfico que visa, por um lado, descrever e analisar a expurgação dos livros, tanto de fabrico local como de importação; por outro, fornecer uma bibliografia aprofundada das obras impressas e dos manuscritos do século XVII.

 

A primeira parte foca-se na noção de microcensura, ainda pouco divulgada. Em Portugal, como nos outros países de Inquisição, além da mera proibição de autores e obras, praticou-se a expurgação textual graças a índices epónimos editados a partir dos anos 1570-1580. Foi elaborada uma metodologia da análise microcensória que permite classificar e avaliar a efectividade das operações realizadas dentro dos livros. Assim, se começa a escrever a história da biblioteca limpa, secção do livro médico, segundo os padrões da cultura pós-tridentina.

 

A segunda parte intitula-se Bibliografia Médica Lusa (século XVII). Em comparação com a reduzida produção anterior de livros de medicina (22 títulos entre 1496 e 1598), estão aqui catalogados 99 itens de impressos (títulos originais e reedições) e 51 entradas sobre obras manuscritas. Além dos principais dados bibliográficos correntes, cada item está descrito com dados sobre aspetos indispensáveis, sempre que consta nele este tipo de informação: datas das licenças e de privilégio, taxas, título e autor das peças paratextuais, localização dos exemplares a três níveis (Portugal, Espanha, resto do mundo). Contém no fim os seguintes índices remissivos: nomes de autores de impressos e manuscritos, de destinatários de uma dedicatória, de editores e patrocinadores, lugares de edição.

 

A dupla abordagem, censória e bibliográfica, ajuda a conhecer melhor o mundo do livro e dos seus atores num mercado reduzido e num contexto de controlo apertado.

 

Livro médico e censura na primeira modernidade em Portugal, Hervé Baudry (aut.), Lisboa: CHAM, 2017, 168p., (CHAM eBooks, 3).

 

 

ISBN

9789898492524

 

 


Disponível em Acesso Aberto no RUN - Repositório da NOVA (web)