
A comunicação apresentada por Teresa Vergara, inserida no âmbito do projeto EDGES e dentro das atividades promovidas pelo grupo de investigação Ambiente, Interações e Globalização do CHAM, visa dar a conhecer uma investigação em curso sobre a incorporação de conhecimentos indígenas na medicina universitária do Vice-Reino do Peru, no início do século XIX. O foco deste estudo recai sobre a fundação do Real Colégio de Medicina e Cirurgia de São Fernando (1809), liderada por Hipólito Unanue, enquanto primeiro esforço institucional para integrar estes saberes no currículo académico. Face à preferência popular pelo curandeirismo, Unanue promoveu a integração de indígenas através de bolsas de estudo, enriquecendo a disciplina de Farmácia com a vasta experiência herbária dos povos originários. Problematiza-se neste âmbito, se a necessidade de sistematizar a flora medicinal foi, de facto, o principal motor para a inclusão das populações indígenas nas salas de aula, buscando reduzir a distância entre o saber oficial e as práticas terapêuticas tradicionais.
Teresa Vergara Ormeño
Historiadora pela Pontifícia Universidade Católica do Peru. Doutora em História pela Universidade de Connecticut, Estados Unidos. Professora Associada do Departamento de Humanidades da Pontifícia Universidade Católica do Peru e membro da Comissão Diretiva do Programa de Estudos Andinos da mesma universidade. Especialista em história social, história do Peru colonial e etnohistória. Atualmente, encontra-se a trabalhar no seu livro sobre os espaços de poder social, económico e político da população indígena de Lima durante o período colonial.
Publicações recentes:
"Ascensão social, controlo gremial e resistência confrarial: os silheiros indígenas de Lima (1744-1772)" (2025);
"O cabildo de índios de Lima: espaço de poder e presença política, séculos XVII e XVIII" (2024).