
Património têxtil nos sinais de crianças expostas, com Maria João Ferreira
Durante séculos, era comum famílias entregarem crianças a instituições como a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa de forma a se encarregarem da sua criação e educação. São os chamados expostos da roda, prática que, em Portugal, abarcou milhares de menores (em geral, bebés). No século XIX, só em Lisboa, eram entregues em média sete crianças por dia. Muitas eram acompanhadas por «escritos», isto é, anotações em papel de dados relacionados com a sua origem, e «sinais», ou seja, objectos que serviriam como identificação posterior, caso a família os pudesse resgatar. Entre esses «sinais», existem muitos tecidos. Maria João Ferreira conversa sobre as revelações proporcionadas por esses objectos, a circulação e o valor dos têxteis e os novos contributos para reconstruir a história da infância. E ainda nos explica o que é «cor de pulga»... A entrevista é conduzida por Isabel Araújo Branco.
Maria João Ferreira é investigadora integrada do CHAM e técnica-superior do Museu de São Roque, em Lisboa. Doutorada em História de Arte, centra a sua investigação no estudo dos têxteis em Portugal durante a Idade Moderna. Desenvolveu um pós-doutoramento financiado pela FCT sobre a utilização dos têxteis nos recheios domésticos aristocráticos portugueses, mas interessa-se pelo papel dos têxteis no quotidiano português em geral, as motivações para a sua valorização, aquisição e exposição, o tipo de mercadorias a que os portugueses tinham acesso e as tendências e gostos dos compradores.
No próximo episódio, Francisco Queiroz fala sobre turismo cemiterial.
O indicativo sonoro de «CHAM Talks, um podcast para ouvir ciência» utiliza «Bike Sharing To Paradise», de Dan Bordan (sem direitos de autor).
Coordenação
Isabel Araújo Branco (CHAM)
Organização
CHAM / NOVA FCSH