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Este workshop pretende revisitar a construção dos impérios ibéricos entre os séculos XVI e XVIII, deslocando o foco para as franjas imperiais, os espaços interiores e as fronteiras internas. A distância entre as projecções imperiais e o domínio efectivo das áreas reivindicadas pelas Coroas de Portugal e de Castela podia ser abismal. A espacialização diferente da dominação colonial dos impérios ibéricos, e a sua heterogeneidade territorial, convidam-nos a olhar para a diversidade das situações locais no seio do espaço imperial ibérico, e a examinar mais atentamente as interações entre as dinâmicas locais e globais, bem como entre as várias populações e as instituições ibéricas. O objectivo é compreender melhor a textura das relações de poder e a trama das transacções sociais e políticas locais que moldaram esses impérios. Trata-se de realçar as experiências das diversas sociedades locais, em contacto e/ou enredadas nas malhas coloniais, mas também de questionar de uma forma diferente as formações imperiais ibéricas e os processos através dos quais se articularam. Afinal, estas questões dizem também respeito à Península Ibérica e levam a considerar a forma como os processos coloniais afectaram a organização social metropolitana. Propomos neste workshop partilhar reflexões historiográficas e pesquisas em curso. Trata-se de explorar trilhas de investigação que nos permitam recuperar uma história plural das formações imperiais ibéricas. Este workshop faz parte de um projecto exploratório em curso financiado pelo CHAM.
Programa
9h30 - 13h00
1. Descentrar/localizar as formações imperiais ibéricas
Silvia Hunold Lara (Universidade Estadual de Campinas, Brasil): O império ao rés do chão: guerras e acordos de paz em Pernambuco na segunda metade do século XVII
Paulo Jorge de Sousa Pinto (CHAM): "Senhoreando Somente a Fralda do Mar" - Configurações Políticas da Ásia Portuguesa no Século XVI
2. Refigurar os impérios t(i)erra adentro
Jaime Valenzuela Márquez (Pontificia Universidad Católica de Chile): Tierra(s) [y mar(es)] adentro. En torno a los hinterlands/hinterseas en la territorialización colonial de los impérios ibéricos
Charlotte de Castelnau-L’Estoile (Sorbonne Université): Guerra e Profetismo: Potiguares, Franceses e Portugueses no norte do Brasil 1570-1620
Christophe Giudicelli (Sorbonne Université): “De este género de barbaros trato Aristoteles, cuando dijo que podían ser cazados como bestias y domados por la fuerza”. Guerra justa y marco derogatorio en las fronteras coloniales
14h00 - 17h30
3. Modelar/modular espaços, gentes e instituições
Érica Lôpo de Araújo (Universidade Federal de Pernambuco): Territorialidades e saberes indígenas na produção da capital do Estado do Brasil (1580-1695)
Evergton Sales Souza (Universidade Federal da Bahia): O Terceiro catecismo de Francesco Paconio. Apontamentos para uma história conectada entre Lima, Angola e Brasil no tempo da união ibérica
Felipe Garcia de Oliveira (CHAM): “Pois a Suplicante é liberta e como tal sirva a quem sua vontade lhe pede”: a produção de distinções jurídicas pelos administrados frente à escravidão na capitania de São Paulo, século XVIII
4. De volta à metrópole
Mariana Meneses Muñoz (CHAM): Redes de conhecimento e economias de sobrevivência: três bruxas na inquisição de Lisboa durante o século XVII
António de Almeida Mendes (Université de Nantes): Coexistir, co-habitar, conviver: como criar uma comunidade. Lisboa e seus escravos, século XVII
Moderação : Pedro Cardim (CHAM), Guida Marques (CHAM)
Comissão Organizadora
Guida Marques (CHAM)
Organização
CHAM / NOVA FCSH
Cartaz (.pdf)