Ciclo de Conferências 16.09.2022
Género e Religiões. Perspectivas, Práticas, Teorias e Expressões de Género entre o Religioso e Religiosidade
11h00-12h00  onlineDiscursos e actuações inquisitoriais dirigidos às mulheres (1620-1698, por Indira Leão (Investigadora Independente)

 

A presente comunicação tem como principal objetivo perceber quais os discursos e atuações inquisitoriais dirigidos às mulheres ao longo do século XVII. Como o Santo Ofício punia o género feminino? Será que a normativa divergia da prática inquisitorial? Os procedimentos inquisitoriais divergiam consoante o género do réu?

De modo a podermos dar resposta a estas questões, analisaremos a normativa inquisitorial, através dos Regimentos de 1613 e de 1640, que correspondem ao período cronológico em estudo. Depois, faremos uma comparação com a praxis inquisitorial assente na análise de processos de mulheres condenadas por judaísmo, feitiçaria e sodomia heterossexual pela Inquisição de Lisboa. A análise comparativa destas fontes documentais permite-nos adquirir uma perspetiva complementar do funcionamento da Inquisição e do procedimento dos seus agentes.

Partindo de um enfoque geral com a análise da normativa, para o particular através dos processos, não descuraremos detalhes mais pessoais relacionados com cada uma das rés, inclusivamente no que concerne à forma de tratamento dada durante a aplicação do tormento. A experiência do cárcere já constituía uma grande violência psicológica para as presas, aliada à tortura, podem dar muitas informações acerca da diversidade de violências a que estas mulheres estavam submetidas. Estas experiências mais particulares são reveladoras do exercício de poder inquisitorial sobre as rés e os seus corpos.

Em suma, através das fontes inquisitoriais conseguimos ter acesso às histórias das mulheres que atuaram na esfera inquisitorial, tirando-as do manto de invisibilidade a que foram remetidas durante séculos. Deste modo, conseguimos não só entender melhor a sua presença no Santo Ofício, mas também como a instituição as concebia e agia contra elas.

   

Indira Leão licenciou se em História na NOVA FCSH em 2017 e concluiu o seu mestrado em História Moderna e dos Descobrimentos com a dissertação de mestrado: «Entre transgressão e moralidade: Mulheres na Inquisição de Lisboa no Portugal Moderno (Século XVII)» em 2020. Tem participado em congressos nacionais e internacionais e publicado artigos científicos em revistas indexadas. Vai iniciar o doutoramento em Setembro de 2022 no Programa Interuniversitário de História como bolseira FCT sob a orientação científica de Fernanda Olival da Universidade de Évora e a co-orientação de Laura Beck Varela da Universidade Autónoma de Madrid. Integra, neste momento, o CIDEHUS e já colaborou em alguns projectos como o Faces de Eva.

   

Comissão Organizadora

Guilherme Borges Pires (CHAM)

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Organização

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